Educação Integral e Inovação Digital: como novas diretrizes do CNE e a BNCC da Computação podem transformar o ensino nos próximos anos.
Resoluções recentes e programas nacionais apontam caminhos para que redes de ensino ampliem a jornada escolar com experiências inovadoras, alinhadas às competências digitais e às demandas do século XXI.
As recentes resoluções do Conselho Nacional de Educação (CNE) e os avanços na implementação da BNCC da Computação apontam para um cenário de transformação no modelo de educação integral no Brasil. Mais do que ampliar a jornada escolar, essas mudanças indicam a necessidade de repensar currículos, metodologias e recursos para promover uma formação completa, conectada às demandas contemporâneas de aprendizagem.
A Resolução CNE/CEB nº 7/2025 e o novo desenho da jornada ampliada
O Conselho Nacional de Educação (CNE), por meio da Câmara de Educação Básica (CEB), publicou em 1º de agosto de 2025 a Resolução CNE/CEB nº 7/2025, que institui as Diretrizes Operacionais Nacionais para a Educação Integral em Tempo Integral na Educação Básica.
A norma, publicada no Diário Oficial da União em 4 de agosto, estabelece a obrigatoriedade de uma jornada escolar mínima de 7 horas diárias ou 35 horas semanais, pautada por princípios como equidade, inclusão, diversidade, justiça curricular e gestão democrática.
Na prática, isso significa que todas as escolas que ofertam educação em tempo integral, públicas ou privadas, precisam estruturar seus currículos para ocupar esse tempo adicional com atividades que não se limitem a conteúdo tradicional, mas que promovam vivências que fomentem o desenvolvimento integral do aluno, seja intelectualmente, socialmente, culturalmente ou emocionalmente. (CAPÍTULO II artigo VIII – a promoção de práticas pedagógicas inovadoras e interdisciplinares que garantam o desenvolvimento integral dos educandos)
A norma também orienta que a jornada estendida contemple tempos dedicados à alimentação, higiene, socialização, descanso e transição entre atividades, todos planejados como parte do processo educativo, com infraestrutura adequada e mediação por profissionais qualificados.
Além disso, a implementação deve considerar as particularidades de cada rede e instituição, levando em conta infraestrutura, equipe pedagógica, transporte, alimentação escolar e parcerias locais.
Também recomenda que os sistemas de ensino promovam a melhoria contínua da infraestrutura escolar, incluindo a criação, ampliação ou modernização de espaços pedagógicos, culturais, esportivos e de convivência, com atenção à sustentabilidade socioambiental. (Seção II, Cap VI – promover a melhoria contínua da infraestrutura escolar, com a criação, ampliação ou modernização de espaços pedagógicos, culturais, esportivos e de convivência, com atenção à sustentabilidade socioambiental e às mudanças climáticas)
A resolução ainda estabelece a articulação intersetorial com políticas públicas nas áreas de meio ambiente, saúde, assistência social, cultura, esporte, segurança alimentar e direitos da criança e do adolescente, tudo com objetivo de desenvolver os estudantes em sua integralidade.(CAPÍTULO II, item IV – a articulação intersetorial com políticas públicas do meio ambiente, saúde,)
Educação digital e BNCC da Computação
Além da Resolução CNE/CEB nº 7/2025, que redefine a organização do tempo escolar na educação integral, o CNE também publicou recentemente a Resolução CNE/CEB nº 2/2025, voltada à educação digital e ao uso responsável, ético e crítico das tecnologias. Essa norma orienta as escolas a promoverem direitos digitais, fortalecerem o letramento digital e incentivarem a produção ativa de conteúdos tecnológicos pelos estudantes, integrando essas práticas ao currículo e à rotina escolar.
Quando somamos essas diretrizes à BNCC da Computação, regulamentada pela Resolução CNE/CEB nº 1/2022 e que define competências em cultura digital, pensamento computacional e uso criativo da tecnologia, fica claro que existe um movimento integrado para que as instituições modernizem suas práticas pedagógicas.
O objetivo é que o tempo ampliado de jornada seja também um tempo de inovação, desenvolvimento de habilidades para o século XXI e construção de uma educação mais conectada às demandas atuais da sociedade.
Entre as possibilidades de atividades para a jornada integral, podem estar:
- Oficinas e projetos de criação (maker, artes, design)
- Aulas de idiomas
- Atividades esportivas e culturais
- Programas de reforço escolar e estudo orientado
- Iniciativas voltadas para tecnologia e inovação
Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (Enec)
O Ministério da Educação tem reforçado esse movimento por meio da Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (Enec), que promove a educação digital como pilar para a transformação das escolas públicas.
A Enec articula políticas para universalizar a conectividade e garantir o uso pedagógico seguro da tecnologia, estando estruturada em seis eixos interligados:
- Conectividade: internet de qualidade para uso pedagógico em salas de aula e demais ambientes escolares.
- Ambientes e Dispositivos: disponibilização de equipamentos tecnológicos para professores, gestores e estudantes.
- Gestão e Transformação Digital: uso da tecnologia para tornar a gestão escolar e das secretarias mais eficiente e integrada.
- Recursos Educacionais Digitais (RED: materiais digitais de qualidade e alinhados à BNCC, complementando os recursos impressos.
- Competências e Formação: desenvolvimento das competências digitais dos profissionais da educação e promoção de práticas pedagógicas inovadoras.
- Currículo: currículos estruturados com foco em cidadania digital e competências digitais adequadas a cada etapa de ensino.
Na dimensão pedagógica, a Enec inclui ações como a assessoria técnica às redes para implementação curricular da BNCC da Computação, a oferta de cursos no Avamec (Ambiente Virtual de Aprendizagem do MEC) e, de forma especialmente relevante para a aprendizagem ativa, a criação de mil laboratórios maker em escolas públicas de todos os estados e do Distrito Federal.
Essa ação ocorreu em 2024 por meio do Programa Mais Ciência na Escola (resultado oficial aqui), com investimento de R$ 100 milhões, para estimular o letramento digital e a inovação nas práticas escolares.
Essas iniciativas fortalecem a formação docente, impulsionam a inovação pedagógica e ampliam as oportunidades para que as escolas adotem metodologias mais criativas e alinhadas às demandas do século XXI.
Metodologias inovadoras na prática
Nesse cenário, metodologias que unem projetos autorais, uso de tecnologia e registro estruturado do processo de aprendizagem tornam-se estratégicas. A Little Maker, por exemplo, integra oficinas maker, repertório de técnicas, ferramentas digitais e uma plataforma que documenta evidências de aprendizagem, o que atende simultaneamente à demanda de atividades significativas para a carga horária estendida e às diretrizes da BNCC da Computação.
Diferente de propostas engessadas, a Little Maker trabalha com projetos autorais significativos, que partem de desafios instigantes e permitem múltiplos caminhos de criação. Ao longo das oficinas, os estudantes exploram técnicas variadas, como programação, eletrônica criativa, modelagem 3D, prototipagem com materiais recicláveis e robótica, sempre integradas a contextos reais e interdisciplinares.
A Plataforma Digital acompanha todo o processo, registrando técnicas utilizadas, competências desenvolvidas e evolução do estudante. Isso oferece às escolas dados concretos para avaliação, transparência para famílias e insumos para gestão pedagógica, garantindo que o tempo integral seja não apenas preenchido, mas efetivamente transformador.
Conclusão
Nos últimos meses, o Conselho Nacional de Educação tem publicado resoluções que indicam um movimento claro para fortalecer e modernizar a educação no Brasil.
A Resolução CNE/CEB nº 7/2025 estabelece novas diretrizes para a educação integral em tempo integral, definindo a jornada mínima de 35 horas semanais e a necessidade de experiências diversificadas para o desenvolvimento pleno dos estudantes.
Já a Resolução CNE/CEB nº 2/2025 amplia essa visão ao tratar da educação digital, do uso responsável e ético das tecnologias e do fortalecimento das competências digitais previstas na BNCC da Computação.
Com isso, fica evidente que as escolas, públicas ou privadas que ofertam educação em período integral, precisam agir com celeridade no planejamento pedagógico, estruturando um plano integrado que contemple:
- Reorganização curricular para atingir as 35 horas semanais indicadas pela Resolução.
- Tempos pedagógicos não-instrucionais planejados, como alimentação, descanso, transição e socialização, integrados ao processo educativo.
- Experiências diversificadas conectadas ao território e às realidades dos estudantes, contemplando áreas culturais, esportivas, científicas e tecnológicas.
- BNCC da Computação, incluindo competências digitais, pensamento computacional e uso criativo e crítico da tecnologia.
Embora essas diretrizes se apliquem diretamente às instituições que ofertam educação em tempo integral, elas também refletem uma tendência mais ampla da educação brasileira: integrar experiências diversificadas, competências digitais e inovação metodológica ao currículo. Isso significa que escolas que atuam em tempo parcial podem se beneficiar dessas orientações para enriquecer sua proposta pedagógica e se manter alinhadas às demandas contemporâneas de aprendizagem.
No âmbito das escolas públicas, destaca-se ainda a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (Enec), que tem como meta universalizar a conectividade, promover o uso pedagógico seguro das tecnologias e incentivar práticas como a criação de laboratórios maker e a implementação curricular da BNCC da Computação. A Enec reforça que a inovação tecnológica e metodológica é parte essencial de uma educação integral de qualidade.
Essas normas entram em vigor em 2026. Para as escolas públicas em tempo integral, representam um marco de reorganização da jornada escolar. Já para escolas privadas ou públicas em tempo parcial, elas sinalizam uma tendência clara da educação brasileira: integrar experiências diversificadas, competências digitais e inovação metodológica ao currículo. Quem iniciar esse movimento desde já terá mais condições de oferecer propostas pedagógicas alinhadas às demandas contemporâneas e transformar seu projeto educacional em um diferencial competitivo para a comunidade escolar.
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